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Noemi Jaffe

Como divido meu tempo em muitas atividades diferentes – sou professora, crítica e escritora – acabo escrevendo nas horas livres. Além disso, também tenho uma personalidade bastante indisciplinada, pouco afeita a rotinas fixas. Tudo isso fez com que minha escrita se tornasse de caráter mais fragmentário e, em vários dos meus livros (senão em todos), o leitor tem a possibilidade de entrar na leitura a partir de qualquer ponto do livro, como se as partes fossem autônomas. Penso que esse caráter está relacionado à forma espasmódica como escrevo, em lances verticais e breves; períodos de duas horas, no máximo. Mas, pela primeira vez, estou em meio à escrita de um romance, que está fazendo com que eu aprenda uma nova relação com o tempo: tanto o da escrita quanto o da própria narrativa. É um tempo mais estendido, que exige um pouco mais de disciplina, embora eu nunca consiga me adaptar completamente. Mas a literatura é assim, ao menos para quem escreve: o tempo ficcional interfere no tempo real e vice-versa. Atualmente, por exemplo, enxergo tudo o que faço pelos olhos da minha personagem e, simultaneamente, vou enxertando nela as experiências do meu cotidiano.

 

Noemi Jaffe é autora de “O que os cegos estão sonhando?”, “A verdadeira história do alfabeto” e “Quando nada está acontcendo”, entre outros.

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