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Pedro S. Ekman 

Muitos já me perguntaram a fórmula de escrever e colocar as ideias no papel. Acredito que essa resposta seja pessoal demais. Já li a maneira como alguns escritores consagrados fazem e as contraindicações destes; em algumas eu me encaixei, outras discordei totalmente. Estou indo para o meu 4° livro e sigo acreditando que não há fórmula universal. Exceto a sua própria.

Costumo dizer que minhas ideias demoram mais que minha escrita. O grande prazer desse trabalho é o exercício mental dele. Eu, particularmente, só consigo colocar algo no papel depois de ter ao menos um “esqueleto” deste em minha mente. Claro que muito é descoberto e incluído no processo de digitação, mas se eu não visualizar um Norte para chegar, não consigo sentar e produzir.

Quando mais novo, gostava muito de ir ao parque em frente a minha casa deitar na grama e ter as ideias lá. Pode parecer clichê com uma visão romantizada da escrita, mas isso realmente me ajudava. O parque era um lugar sossegado em que eu desfrutava muito da solidão para organizar minhas ideias. Após, voltava para casa e escrevia tudo. Hoje já não faço mais isso, perdi o hábito. Gosto da solidão do processo criativo, ainda a tenho em casa. Porém não me incomodo mais com vozes ao redor em qualquer outro ambiente, e consigo me concentrar exclusivamente na minha produção. Se há fome para escrever e ideias para serem passadas para o papel, a presença de outros não é capaz de impedir esse impulso descontrolado.

Uso de diversas artimanhas para organizar o turbilhão de pensamentos que me abate quando estou inspirado. Primeiro preciso de longos períodos para pensar. E não é brincadeira como alguns podem achar, do tipo “vou ficar na internet e pensar no livro ao mesmo tempo”. Não, isso não existe. É realmente parar tudo e ficar pensando no que eu quero para a minha história. Geralmente preciso estar manuseando algo, provavelmente como uma válvula de escape, para a cabeça não explodir. Podem ser bolinhas de tênis ou mesmo movimentos perigosos com minha faca butterfly. Uso os famosos caderninhos de anotações, sempre com frases soltas, nada de parágrafos extensos. É apenas para lembrar de informações chaves para que meu cérebro ceda um pouco de espaço em meio ao turbilhão criativo. De uns tempos pra cá, passei a usar mais papéis soltos também, tentando organizar os movimentos e núcleos da trama através de pequenos esquemas. É bem simples e rabiscado, mas funciona. Me ajuda a visualizar com mais clareza para onde as peças do meu livro estão se encaminhando. E após quase cortar meus próprios dedos com minha butterfly, após descontar frases soltas no caderno, após fazer riscos e setas com núcleos de personagens em um pedacinho de papel, sento e escrevo. Escrever, para mim, é a última parte da “rotina de escrita”.

 

Pedro S. Ekman é autor de uma trilogia publicada pela editora paulista Novo Século. Inclui “Cidade das Trevas – A Busca ao Espírito do Bem”, “Cidade das Trevas – Ataque dos Vampiros” e “Cidade das Trevas – A Terra Sagrada”. Também escreve críticas para o site Elfen Lied Brasil, na coluna Crítico Nippon.

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