Pular para o conteúdo

Patrick Holloway

Em cada aula de escrita criativa que eu já fiz, o professor/escritor sempre fala que para ser um escritor você tem que ter uma rotina. Em cada livro que eu li sobre escrita criativa, ou os ‘greats’ falando sobre o processo criativo, sempre lia que para ser um escritor você tem que ter uma rotina para escrever. Então, parece que eu já quebrei a primeira regra de escrever. Não tenho rotina nenhuma. Eu escrevo aos trancos e barrancos. Acho que existem duas razões para isso. A primeira: não gosto de rotina, nem na escrita nem na vida. Não planejo; minha vida é um poço cheio de moedas jogadas. E a segunda: é bom quebrar as regras.

Normalmente eu escrevo quando eu deveria estar fazendo outra coisa, como agora. Preciso terminar um projeto de tradução e sentei para fazer isso; ao invés disso, eu comecei a escrever. Se eu deveria estar pesquisando, eu estou geralmente lendo poesia; se eu deveria estar lendo poesia, eu estou geralmente escrevendo poesia.

Mas uma coisa imutável é que eu escrevo sozinho. Claro, anoto ideias, algumas linhas, descrições no meu caderno- que está sempre comigo- mas a parte importante acontece quando eu estou sozinho e até uma porta se abrindo pode me irritar. Quase sempre, eu tenho dois companheiros: minha cachorra, a Lyra, que gosta de lamber meus dedos enquanto eu estou pensando sobre o que escrever, e um uísque. Quando eu penso sobre escrever eu tenho vontade de tomar um uísque, mas pode ser cerveja ou vinho.

A coisa mais importante sobre tudo isso (o processo, a rotina, quando e como, onde, com lápis ou no laptop, sozinho ou em aula) é o porquê! Parece-me que existem muitas razões, e elas assumem diferentes formas. Problemas na minha vida se tornam poemas; dúvidas- haikus; explorações dos momentos- contos curtos; explorações dos emoções- contos, e assim por diante.

Não tenho rotina, não tenho sistema ou lugar, mas acordo todos os dias com uma vontade de escrever algo bonito; quero tornar as coisas feias, lindas. Quero explorar o mundo; recriar o mundo e o único jeito que eu sei como fazer isso é escrevendo. Só não sei se eu estou me tornando um escritor ou um alcoólatra…

 

Patrick Holloway é formado em Literatura Inglesa e Jornalismo pela University of Stirling, Escócia. Possui mestrado em Escrita Criativa pela University of Glasgow. Atualmente está finalizando seu doutorado pela PUCRS, também em Escrita Criativa. Já teve seus poemas e contos publicados em diversas revistas literárias, como Poetry Ireland Review e Overland Literary Journal.











Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Comentários

romanceliteraturaefa… em Ceres Marcon
Manu da Italia em Fabio Rabelo
Fabio Rabelo em Fabio Rabelo
Maria Dolores Wander… em Maria Dolores Wanderley
Cristiano Gabriel em Gregory Haertel
%d blogueiros gostam disto: