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Cesar Mateus

Minha rotina na escrita está ligada a preguiça e ao delírio (não confundir com loucura e ambição), por isso uso de subterfúgios que deixam o trabalho mais fácil.

A parte mais difícil (chata) é a revisão, por isso ela fica para o final, como todo bom procrastinador invento inúmeras desculpas para deixar para depois, por isso, e não por algum sentimento saudosista hipster vintage, prefiro escrever a máquina ou a mão, assim escrevo sem precisar pensar realmente naquilo até a hora fatídica da revisão. Prefiro a máquina pois ela faz mais barulho, mas que me impede de escrever na madrugada, por isso, quando é possível escolher horários para tal (seguro desemprego te amo de todo o coração), escolho o horário da manhã ou final da tarde, mas quando falta fita ou tenho que bater ponto em alguma firma, então qualquer horário serve.

A segunda parte é passar para o computador, mas não uso para revisão (demora muito), com isso descobri um sistema infalível de escrever sem prestar atenção que é ouvindo rádio ou podcasts, nada que envolva música, mas programas que me façam focar no que está sendo discutido e não naquilo que estou transcrevendo (no momento meus preferidos são o podcast do cinema em cena e o Dave Dameshek Football Program).

Por fim pego aquilo que escrevi e reviso, de preferência alguns meses depois, mas sem muita empolgação.

Na hora da criação propriamente dita aditivos são sempre bem vindos, café (preto ou com leite, tanto faz) principalmente. Nada de álcool, se já me acho genial sóbrio, depois de uma cerveja então nem se fala, e se o resultado, no geral é fraco, embriagado é ainda pior.

Música é importante, de preferência bem alta para abafar o som da máquina. Essa é uma das partes que consomem mais tempo, criar a trilha sonora ideal é tarefa árdua não só na hora de escrever, mas também no banho e em eventuais (diárias) partidas de Madden.

Não sou inspirado, tento escrever um pouco por dia, quarenta minutos, uma hora, no mínimo uma página, com ela tenho meu dever garantido e posso parar, uma espécie de funcionário público se preferirem. E quando me sento para escrever tenho que saber exatamente o que, ultimamente tenho feito resumos da história e das cenas e tem funcionado (na hora de escrever, não necessariamente na qualidade do trabalho). E minhas melhores ideias vem caminhando, por isso quando possível vou a pé para os lugares – afinal não consigo entender aqueles que caminham sem um objetivo, assim como não entendo aqueles que frequentam parques aos domingos -, e chego com as ideias prontas, desse modo só preciso encher linguiça, páginas e mais páginas de delírio, que é o que eu faço de melhor.

 

Cesar Mateus nasceu e vive em Caxias do Sul, publicou o livro Couro Ilegítimo e outros contos em parceria com Maikel de Abreu (editora Modelo de Nuvem). Atualmente curte os últimos dias de um período de agradável tranquilidade na companhia de seu play 3 graças ao FGTS, mas logo vai ter que procurar outro subemprego.

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