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Luisa Geisler 

Eu seria generosa se dissesse que tenho um ritmo de vida maluco. Faço duas faculdades: uma em que termino meu TCC este semestre e outra federal, conhecida por seus horários e campi pouco realistas. Ainda com as viagens por motivos literários, tempo me é um recurso escasso. Escrevo quando dá, durante aulas, no trem. Anoto ideias corridas no celular ou em blocos de xerox. Este texto, por exemplo, escrevo em parte numa sala de espera, outra parte esperando o começo de uma aula.

Claro que prefiro escrever em casa, de pijama, tirando uma soneca quando travo, ou tirando uma soneca como congratulação. Ou tirando uma soneca antes de começar. A verdade é que sempre prefiro dormir.

Tento forçar uma rotina. Grosso modo, o processo de escrita em si envolve planejamento em tabelinhas do Excel e procrastinação no pouco tempo que tenho. Não me atenho 100% ao que prometo, mas juro que tento. Acima de tudo, acho importante saber como começa e como acaba, saber o tom do que estou fazendo. Saber eventos do “durante” da narrativa é o ideal. Estabeleço muitos prazos e metas como maneira de saber onde me encontro, justo pra obrigar essa quase-rotina a se realizar.

Entre escritas, gosto de ler livros que estejam alinhados a algo que eu queira transmitir. Gosto de estar próxima de ideias afins, mesmo que banais (um autor que nomeia capítulos de um jeito interessante, sei lá). Por querer escrever um livro narrado em cartas (caso do Luzes de emergência se acenderão automaticamente), li diversas narrativas epistolares. Busquei referências, gostos, desgostos. Esse diálogo importa pra mim. A história de “saber o tom”.

Não viro noites escrevendo, não tenho muitos horários (embora prefira as primeiras horas da manhã). Meu único ritual é beber algo enquanto escrevo, de preferência chá porque dá pra levantar e esticar as pernas enquanto fervo mais água. Ajuda. Se o Fim (do semestre) Está Próximo, prefiro bebidas ricas em químicos provavelmente cancerígenos, como energéticos. Mais pelo choque imediato de “estou acordada” causado por elas. Não porque vá deixar de dormir. Eu nunca vou deixar de dormir.

 

Luisa Geisler é autora de Contos de Mentira (Record, 2011), Quiçá (Record, 2012) e Luzes de Emergência se acenderão automaticamente (Alfaguara, 2014). Nasceu em Canoas (RS) em 1991.

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