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André de Leones 

Quando me ocorre uma ideia, lanço mão de um caderno e escrevo bastante sobre ela. É o jeito que encontrei de esclarecer para mim mesmo que história é essa que toma forma na minha cabeça. Depois, procuro esquematizar a narrativa, já pensando na divisão dos capítulos, na voz, se será em primeira ou terceira pessoa e por quê, pesquiso o que achar necessário e por aí afora. Só depois que tenho pronto um esquemão (e por mais que ele vá sofrer inúmeras alterações no processo) é que começo, de fato, a escrever o conto ou romance. Escrevo à mão a primeira versão de todas as minhas narrativas. Antes, usava uns cadernos da Tilibra que, salvo engano, não existem mais. Daí que um dos meus passatempos, sobretudo quando viajo, é passear por papelarias, à procura de cadernos que me pareçam tão bacanas quanto aqueles. Desde o começo do ano passado, trabalho em um novo romance. Como também estudo e escrevo sob encomenda (resenhas, releases), costumo dividir o meu dia. Assim, reservo as manhãs para escrever ficção e as tardes para estudar e/ou dar conta dessas encomendas. Às vezes, quando não estou diante de um deadline acadêmico ou profissional (o que é raro), escrevo ficção o dia inteiro, com muitas interrupções: assisto a jogos de futebol ou de tênis, respondo e-mails, acesso o Twitter, blogo, ligo para alguém. Não produzo direito sem uma boa noite de sono. Logo, não sou desses que escrevem pela noite adentro. Também não escrevo quando bebo, mesmo que sejam apenas duas ou três cervejas ou taças de vinho. Preciso estar lúcido e desperto. Depois que termino a primeira versão, digito o que escrevi, imprimo e reviso. É um processo que vai se repetir indefinidamente; gasto muito papel. Preciso intervir manualmente no texto, rasurar, sobrescrever, riscar, daí essa necessidade de imprimir. Barulho não me incomoda. Escrevi boa parte de um romance (Terra de casas vazias) ao som da construção de um prédio de trinta andares aqui ao lado. Ouço muita música enquanto trabalho. Na verdade, crio uma espécie de trilha-sonora para o que estiver escrevendo. Para esse novo romance, selecionei duas sinfonias de Bruckner (a quarta e a sétima), Monk’s Dream, de Thelonious Monk, algum black metal norueguês (Mayhem, Burzum) e Eyehategod, uma banda de doom metal de New Orleans. Será um romance alegremente sombrio.

 

André de Leones (Goiânia, 1980) é autor dos romances Terra de casas vazias (Rocco), Dentes negros (Rocco) e Hoje está um dia morto (Record), entre outros. Vive em São Paulo. Weblog: vicentemiguel.wordpress.com.

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