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Larissa Xavier

Pensando em uma rotina quanto ao ato de escrever descobri que não possuo uma específica. Escrevo no fim das manhãs, em meio às tardes ou inicio das noites. Os personagens em minha cabeça são como visitas malcriadas, daquelas que aparecem em sua porta sem marcar hora e independente do momento. Surgem de forma espontânea nos lugares mais improváveis: no trabalho, justamente quando preciso me concentrar; na fila do banco, quando sou abduzida para terras imaginárias; em meio às conversas, quando meus amigos se perguntam se realmente os estou ouvindo. É quando se inicia a corrida em busca de caneta e papel, nem sempre acessíveis. Então conto nos dedos palavras chaves, “cachorro”, “garoto”, “bosque”, “árvore”. Faço isso mesmo consciente que minutos depois não recordarei de nenhuma…

Quanto ao local tenho certa preferência por escrever em casa. No meu quarto tenho liberdade suficiente para as minhas maluquices, como deitar de cabeça para baixo quando a inspiração desaparece, uma técnica que aprendi, já antecipo que não funciona muito bem. Mas não faço disso uma regra. Às vezes gosto de escrever sentada nos bancos da praça. Em especial um de madeira, mergulhado na sombra leve de um ipê amarelo. Contudo me interrompo no instante em que pressinto que alguém esta me observando. Sou daquelas pessoas chatas que não conseguem trabalhar sob a vigília dos outros. O peso dos olhos alheios me incomoda. Não acredito em determinado lugar onde as ideias fluam sem dificuldade, ou um momento em que elas se tornem menos complexas e mais transparentes. Ao menos não comigo.

Carrego uma caderneta sempre. A inspiração é escorregadia, vez ou outra a encontro perdendo de vista. Não gosto de escrever no computador, ao menos não antes de revisado. Sou meio antiquada nesse aspecto. Gosto mesmo é de ver o lápis deslizando na folha, dando forma as letras e por consequência as palavras. Palavras que costumam dispersar-se como neblina. É quando me coloco a caça-las como borboletas rebeldes. Por fim só as encontro no dicionário, meu baú mágico de sinônimos e metáforas.

Desconheço o sentido da palavra organizado. Escrevo em qualquer papel a minha frente: guardanapos, desenhos antigos, jornais. Aprecio o prazer de me perder na bagunça. Sou meio hiperativa. No momento em que eu me colocar metas, escrever deixará de ser divertido, terá se tornado uma obrigação. Confesso que minha dispersão causa embaraços na hora de estruturar a trama, entretanto acabamos nos entendendo.

Não imagino que possa existir uma rotina exata para escrever, mas várias compartilhadas por todo escritor. A rotina de escrever para fugir da sua. A rotina de conviver com a expectativa de ver seu trabalho reconhecido e a do medo de que ele mofe na gaveta. A rotina de acordar de manhã se sentindo o novo Tolkien e a de ir dormir a noite pensando que tudo que escreve é um lixo. A rotina do desespero quando a caneta falha e a ideia perfeita se esquiva por um buraco negro do seu inconsciente. E a minha favorita, a rotina de se apaixonar todos os dias pela magia de transportar os mundos em sua mente para uma folha em branco, mesmo quando parece algo impossível. Se existe uma rotina para escrever essas são as minhas…

 

Larissa Xavier, mineira de Campestre, interior de Minas Gerais. Estudante de Pedagogia. Contadora de historias. Colecionadora de citações e cartuns. Fascinada por História e Arqueologia. Apaixonada por moda. Viciada em séries. Dividida entre paixão de desenhar e a de escrever. Futuramente pretende cursar letras. Atualmente escrevendo seu primeiro romance.

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