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T. K. Pereira

Eu gostaria de ter uma rotina. Mesmo. Desde que me meti nessa tresloucada vida de escritor – isso há pouco mais de 5 anos – eu busco estabelecer uma. Já tentei de tudo: escrever pela manhã, no mínimo duas horas; à tarde, alternando sessões de uma hora; à noite, nem que por só trinta minutos; testei recombinações e variações, reproduzi processos de outros escritores.

O fato é que não tenho rotina, temo nunca ter e tento me convencer de que isso não é o fim do mundo. Nenhuma derrota é plena quando se aprende algo com ela, certo? Hoje entendo e aceito melhor aspectos fundamentais do meu (inexistente) processo.

Escrevo melhor pela manhã e bem à tarde – a noite é um deserto onde me perco e agonizo. A mente deve estar fresca, livre de preocupações; compromissos imediatos são perturbações: se precisarei estar em algum lugar, quer em meia hora quer em quatro, o relaxamento necessário dá lugar à ansiedade e isso prejudica minha escrita.

Silêncio é importante, mas não imprescindível. Até consigo escrever com pessoas no mesmo ambiente, desde que me deixem em paz – nada de espiar sobre o ombro ou puxar conversa, obviamente. Músicas me colocam no clima, ajudam a desligar do mundo, mas apenas clássica, blues, bossa nova; qualquer coisa mais alta, mais ligeira é uma perturbação ou me convida a cantar junto com o artista. As primeiras palavras saem ainda ao som de uma canção e, se a coisa fluir, eu deixo rolar, mas se a voz do cantor se confunde com as vozes em minha cabeça eu puxo o plugue. Claro, isso só funciona quando ainda estou rabiscando a superfície de uma história; a revisão e a reescrita requerem maior atenção.

A paz de espirito é minha aliada: se estou brigado com namorada, amigo, parente, se estou no vermelho, se há trabalho da faculdade ou pós, se me preocupo com o que quer que seja, eu não produzo ou produzo merda. Descarregar sentimentos na tela-papel já me ajudou a aliviar raivas, medos, frustrações, mas nunca a produzir boas histórias. Dê-me paz de espírito e eu escreverei por horas. E serei um escritor mais feliz, ainda que nunca publique um livro sequer.

 

T. K. Pereira é escritor de coração e servidor público por necessidade. Aficionado por letras, livros e curiosidades do mundo nerd, T. K. busca realizar seu sonho de se tornar um escritor profissional. 

Entre rascunhos de histórias e telas de programação, ele se aproxima do mundo da literatura escrevendo no Escriba Encapuzado e finalizando seu primeiro livro de contos.

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