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Laura Conrado

Um escritor sempre é questionado sobre quando e como ele escreve. Para mim, há uma diferença entre escrever e digitar uma história. Isso porque estou escrevendo a todo instante. Nas ruas, observando as pessoas, numa mesa de mesa, no banho… A todo tempo estou me munindo de verbetes, detalhes e reviravoltas para a trama. Eu escrevo minhas histórias dentro de mim antes de ir ao computador.

Uso do pretexto de ser escritora para escutar conversas alheias. Já passei do ponto do ônibus em que eu iria descer só para terminar de ouvir uma briga ao telefone. Já coloquei os óculos para fazer leitura labial e observar um sujeito que se parecia fisicamente com um personagem que estava na minha cabeça. Adoro passear e andar pelas ruas vivendo como se eu fosse a minha personagem.

Presto atenção nos outros e, sobretudo em mim: escrever é sempre catártico. Fedrico Fellini disse que “toda arte é autobiográfica, a pérola é a autobiografia da ostra”. Se uma pérola é feita a partir de um dolorido processo da ostra, que recebe um corpo estranho dentro dela, acredito que quase sempre o escritor está derramando algumas lágrimas e frustrações na narrativa, assim como falando ele está contando um amor que viveu (ou sonha viver). E é isso atrai os leitores: a honestidade. Há muitas técnicas boas, mas nenhuma garante que o leitor vá se colocar no lugar do protagonista.

A inspiração, pelo menos para mim, vale só até a premissa – os insights, sacadas e ideias geniais “que dariam um livro”. O resto é transpiração pura.
Quando a premissa já está bem delineada em mim, parto para a construção das personagens, traço as viradas mais importantes da história e as subtramas que vão permear a narrativa principal. Assim, inicio a escrita sabendo onde e como a história começa, e quando e onde ela vai terminar. Começar tendo em vista um ponto de partida e um ponto de chegada, faz com que eu confira uma certa lógica à minha obra, fico mais organizada.

Quando retomo o trabalho do dia anterior, releio o que escrevi e continuo no mesmo fluxo. Isso permite que eu mantenha o ritmo da narrativa, o estilo de linguagem e uma certa coerência. Também ocorre muito de eu fazer as cenas mais importantes antes que ela aconteça no livro. Faço por inspiração e porque elas funcionam como picos, e eu devo fazer a história esquentar até lá.

Costumo escutar músicas para entrar no clima de alguma cena. Quando me sinto embalada, diminuo quase toda música e parto para a escrita. Eu me distraio com facilidade, logo, evito celular, internet e qualquer outra coisa que me tire o foco. Por isso, adoro o silêncio da noite e da madrugada.

Depois que o livro está escrito, é hora de reescrevê-lo. Aí começa a ficar sério: procuro furos na história, melhoro diálogos, burilo o texto e refaço diversas cenas. Depois desse processo, costumamos dizer que o texto começa a ficar com cara de livro.

O contato com meus leitores me enriquece muito. Além de ser uma injeção de ânimo, percebo o que deu certo em meus livros. Noto o contexto em que houve identificação e me encho de matéria-prima para os próximos livros. Logo, o ciclo se renova e lá estou eu em busca de novas personagens e histórias.

 

Laura Conrado é mineira de Belo Horizonte e nasceu em 26 de agosto de 1984. Adora viajar (especialmente nas ideias), ler, escrever, assistir a filmes e séries, bater papo e passear com seu cachorro labrador, Rocky. É autora de diversos livros para o público jovem, entre eles os sucessos Freud, Me Tira Dessa e Só Gosto de Cara Errado. Foi ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura em 2012 e se comunica intensamente com suas fãs através dos canais: www.lauraconrado.com.br (site); www.youtube.com/c/laurinhaconrado (canal no Youtube); @laura_conrado (Twitter); facebook/laura.conrado e instagram.com/lauraconrado.

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