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Maurem Kayna

Escrever é uma forma de interagir com os fatos e com as coisas. Quando olho para o trânsito, para poças d’água nas calçadas do centro ou para a cara angustiada de um sujeito na esquina, estou lendo e escrevendo, embora nem sempre essas frases colhidas no cotidiano se convertam em narrativas.

Para tentar manter uma regularidade na escrita, já que não vivo (e sequer pretendo) de literatura, carrego sempre comigo um bloco de notas e vivo à cata de canetas que deslizem maciamente pelo papel. Assim, consigo escrever em quase qualquer lugar – café, sala de espera, fila do supermercado – mas, como minha caligrafia é um desastre, se espero muito tempo para digitar e reordenar as ideias, fica impossível decifrar algumas palavras.

Costumo escrever nos retalhos de tempo entre o trabalho e todas as outras tarefas imprescindíveis da vida – cozinhar (e comer!), cuidar da casa, da bicharada, das plantas e dos afetos, as aulas de flamenco e, claro, a leitura. Já tentei usar o gravador de voz do telefone enquanto dirijo, para registrar embriões de contos, características de personagens ou mesmo frases, mas não funcionou bem para mim porque acabava nunca passando a limpo.

Meu ritmo de escrita costuma(va) ser lento, mas depois do nanowrimo, em 2013, me impus uma revolução. Para cumprir a meta diária (1.666 palavras / dia) foi necessário desligar o modo auto-censura e refrear a mania de reescrever a mesma frase trocentas vezes, gastando horas em um mesmo parágrafo antes de ir adiante. Isso foi libertador. A rotina de escrever quase todos os dias também foi outro ganho da participação na maratona literária.

Atualmente não consigo manter a mesma disciplina porque o trabalho absorve tempo e energia, mas sempre reservo algumas horas por semana para me trancar no escritório e retomar os contos pendentes ou a estruturação do novo romance. Faz dois anos que deixei de usar o editor de texto word, gamei no Scrivener, um software ótimo que permite uma organização muito melhor dos textos e materiais de pesquisa.

A luta constante é para fugir de distrações pouco produtivas como as redes sociais e a dispersão nossa de cada dia ao mesmo tempo que tento equilibrar os esforços de divulgação necessários para todo autor independente e que inclui a manutenção do blog www.mauremkayna.com sobre autopublicação, a organização de material para concursos e ainda o envio de originais para editoras.

 

Maurem Kayna é engenheira e escritora (afirma que talvez um dia a ordem se altere), baila flamenco e vem publicando textos em coletâneas, revistas e portais de literatura na web há quase uma década, além de apostar na publicação “solo” em e-book desde 2010. A seleção de contos finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2009 – Pedaços de Possibilidade, foi seu primeiro e-book; depois disso, houve uma série de experiências com autopublicação, testando ferramentas de edição de e-books e plataformas para publicação independente. Em 2014 se deu a publicação de seu primeiro livro impresso, Labirintos Sazonais, que nasceu como um projeto de literatura digital.

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