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Cassia Cassitas

São três horas da manhã quando acordo para escrever. Desperto pronta, vou ao escritório e começo a ler o que já escrevi. Então as palavras acontecem e continuo de onde parei. Escrevo por horas sem parar. Às seis horas volto para cama descansar os olhos, me levanto antes das sete. Tomo o café da manhã com meu marido, nossos filhos indo e vindo. Adoro começar o dia assim.

Escrever é como conversar com as pessoas. Eu gosto de gente, de ser gente, todos iguais e diferentes, com suas idades, necessidades e interesses, nessa mistura que é a vida. Acredito que o leitor percebe e me escreve. Recebo depoimentos surpreendentes.

As pessoas são a minha prioridade e moldam meus dias. Por isso as manhãs são diferentes. Academia, supermercado, aulas de idiomas, encontro com amigas, reuniões no colégio, ida ao banco, reuniões, a vida prática acontecendo.

À tarde, eu estudo. Levei dois anos para escrever cada um dos meus três títulos. A partir de uma ideia , faço muita pesquisa, leio jornais, livros, teses acadêmicas, vou a eventos conversar com as pessoas, assisto a filmes, faço cursos. Cada livro tem seu processo.

“O menino que pedalava” nasceu da lembrança de uma frase de uma ex-aluna, dita há quase vinte anos. Durante as pesquisas, entrei em contato com um universo do qual eu sabia muito pouco. Visitei lugares, conheci pessoas incríveis e ganhei várias distensões musculares. Transformar a inspiração na historia de um paratleta foi uma jornada maravilhosa, libertadora.

“Fortuna, a Saga da Riqueza”  foi uma busca de respostas. Estudava movimentos sociais ao redor do mundo e acompanhava tendências econômicas. Então eu sonhei a cena de um dos últimos capítulos. Dali emergiram os fatos, o enredo e a dinâmica de um casal em meio à crise de 2008.

Quanto a “Domingo, O Jogo”, bastou eu começar a estudar filosofia para dar forma ao que estava represado em mim. Nesse período eu escrevia e lia Carlos Drummond todos os dias.

Leio muito, horas. Tenho livros em todos os lugares e leio vários ao mesmo tempo. A lista inclui clássicos, best-sellers, os livros dos meus filhos e os que me agarram quando vou a uma livraria. E de vez em quando tenho a alegria de conhecer um mestre nas feiras literárias que participo. Aí, me debruço sobre a obra completa do autor.

Trabalho de segunda à sexta. Na fase inicial, a maior parte do tempo é dedicada a estudo, organizar o material em planilhas, fazer fluxogramas, agendas de acontecimentos. Então começo a alinhavar o que fui escrevendo aqui e ali, o livro toma corpo e passa a me acordar às três da manhã para lhe dar corpo. Neste período, escrevo de madrugada e de manhã, reviso à tarde. Quando o texto está completo, a revisão dura de seis a dez horas por dia.

Tenho agenda, cronograma, público-alvo, metas. Quando envio os originais para apreciação, começo a pensar na tradução e na divulgação. Publico em português e inglês. Uma verdadeira maratona que me deixa exausta e muito feliz.

“Entre a técnica e a emoção,

escolho conversar com o leitor,

cochichando segredos

e lançando raízes

de minhas histórias…”

 

Cassia Cassitas nasceu no interior do Paraná, é docente em cursos superiores e MBA’s e fez carreira na área de Tecnologia da Informação. Autora de três livros,  seus textos movimentam ideias acumuladas em meio ao cheiro dos cafezais, a produção de sapatos e a tecnologia da virada do século. Fala de episódios que transformam vidas, num caminho em que desfilam memórias e imaginação.

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