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Rodolfo Lorenzato Patricio 

A inspiração é o que torna esse ofício fascinante. Todo dia acordamos os mesmos, temos nossa rotina a cumprir e alguns sonhos ou objetivos a nos motivar. A vida pode seguir seu curso e ter as variações de felicidade ou frustração sem que, em nenhum momento, precisemos da inspiração. Porém, para um escritor, ela é simplesmente imprescindível.

Meu processo criativo é solitário, porém, dependente por completo da inspiração, que muitas vezes surge de conversas interessantes, filmes, livros ou peças de teatro enriquecedores ou, ainda, em incursões por paisagens maravilhosas. Eu não escrevo o tempo todo, considero até ser um tanto quanto preguiçoso para isso. Só escrevo quando algum clique se ativa dentro de mim e me faz enxergar além daquilo que se mostra como realidade à minha frente. Isso pode vir de imediato ou demorar algum tempo, mas a partir daí tento esgotar completamente o assunto, escrevo e reescrevo para lapidar as ideias que me vem à mente e, enquanto não fico satisfeito, não largo o texto.

Outra coisa interessante é que não escrevo só para mim. Escrevo pensando em como as pessoas vão ler. Nesse aspecto me coloco como leitor e tento descobrir o que tem de interessante no texto. Eu, geralmente, já sei o desfecho do que estou escrevendo, mas penso em como posso deixá-lo instigante para quem o lê pela primeira vez. É como se fosse um jogo de tentar adivinhar o que já sei e nesse jogo posso vir a descobrir algo dentro do processo criativo que efetivamente mude o rumo do que tinha planejado escrever. É um pouco de loucura, eu sei, mas quem gosta de escrever deve se identificar com esse desvario.

Reviso com certa frequência meus (poucos) textos, sempre buscando melhorá-los. Gosto de brincar com a língua e tirar dela seu lado mais saboroso. É comum usar referências implícitas, abusar de anagramas, paródias, intertextualidades, sarcasmo, antíteses e metáforas. Não devemos temer as palavras, por isso busco me afastar de algumas de suas seriedades nocivas e usá-las para me aproximar das pessoas. Acredito nesse poder transformador da literatura e que a leitura nos faz gostar mais das pessoas.

 

Rodolfo Lorenzato Patricio é natural de Ipatinga/MG, foi cedo para São Paulo, onde se formou em Letras pela USP e economia pela PUC/SP, com pós-graduação em Língua Portuguesa. Possui três livros publicados pela Universo dos Livros e um pela editora Zeppelini. Autor do livro “Eu te Conto” pela editora Lápis Roxo.  www.facebook.com/livroeuteconto.

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