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Andrei Ribas 

Como minha renda não vem da literatura (aliás, até quem vive só da literatura neste país dá pra desconfiar que tenha algum tipo, de fato, daquilo que conhecemos por renda – deixando de lado os “best-sellerianos”) e nem de atividades relacionadas – ensino, publicidade, jornalismo, tradução, frilas –, quando escrevo é em momentos de psicografia, mas sem espíritos pra culpar.

As inserções variam. Podem se dar antes de amanhecer ou quando já me convenci de que o dia estava terminado: tenho que incontinenti escrever à mão a ideia que vem em fragmentos ou, raro, completas, desde o mote até os diálogos detalhados. Quando não vem integralmente, a ideia fica ocupando meus afazeres laborais e as atividades de lazer. Não é difícil ficar tecendo continuações ou buscar o desenlace de uma ou mais histórias enquanto corro na esteira da academia ou vou passear no parque ou na praça. A(s) trama(s) persiste(m) e persegue(m).

De outro lado, todo esse insight advém das leituras. Vastas. Livres e obrigatórias. Não descarto nem as HQs, que são, como definem em inglês, novelas gráficas. Pra escrever, já disseram, é preciso antes ler, corroer as páginas do que há de bom e ruim procurando a própria saída (ou escrever não é criar labirintos e mais labirintos – sem, necessariamente, encontrar escapatórias – ?). Mas além das leituras perscruto também o cinema, do qual sou admirador dos roteiros complexos e instigantes em que garimpo imagens a serem decodificadas e descritas, e, claro, esta matéria bruta e afiada, fornecedora da sujidade a ser bem ou mal asseada, chamada vida.

De toda este amontoado, portanto, é separar, talhar, esconder, costurar, emendar, produzir, sangrar e parir o que acredito ser possível de ser lido.

Sem ter a menor certeza disso dali adiante.

 

Andrei Ribas é autor dos livros O monstro (novela, 2007) e Animais loucos, suspeitos ou lascivos (contos, 2013). Prepara o lançamento de Cada amanhecer me dá um soco (romance) e Romântico visceral sob o céu fragmentário (poemas). Possui trabalhos reproduzidos nas revistas eletrônicas Plural, Flaubert, R.Nott, Pessoa, Mallamargens, jornal Relevo, entre outras publicações. Escreve resenhas/críticas literárias para os sites Amálgama e Homo Literatus.

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