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Matheus Arcaro

Escrever, pra mim, está além de qualquer pragmatismo. É praticamente uma necessidade fisiológica. Creio que a arte (sobretudo a literatura) é a grande manifestação metafísica do homem. Faço minha a frase de Nietzsche (que, aliás, é epígrafe do meu romance): só a arte é capaz de transformar os aspectos absurdos da existência em representações com as quais se torna possível viver.

O gosto pela escrita veio cedo. Lembro-me que adorava as aulas de ditado nos primeiros anos de escola. Porém, de maneira mais sistemática, comecei a escrever em 2010, depois que fiz uma oficina de contos com Menalton Braff. Sistemática?

Não consigo estabelecer uma rotina rígida de escrita, até porque a literatura não traz meu sustento material. Isso consigo como professor de filosofia e palestrante. Geralmente, escrevo nas madrugadas e aos finais de semana. Na verdade, os temas da minha ficção emergem em momentos inusitados, sobretudo no trânsito, no banho e nos bares. Escrevo a ideia no instante e fico alguns dias ruminando. Exemplo de anotação num guardanapo: “pai no leito de morte diz ao filho ateu que sente muito medo do que está por acontecer”.

(Ah, não creio em inspiração ou algo do tipo. Essas ideias não surgem como milagres. São, isto sim, a manifestação de experiências e observações. O que muitos chamam de inspiração é, na verdade, a soma de alguns fatores como, por exemplo, talento e trabalho árduo).

Depois, decido a qual gênero o tema pertence. Este, no caso, é um conto. Em seguida, traço um “roteiro” da história e escrevo o desfecho. Então, “jogo” na folha algumas palavras, frases soltas e imagens textuais. O próximo passo é trabalho duro: muitos dias à frente do computador. Por vezes, um parágrafo me cobra horas de refinamento. Quantas e quantas vezes não acordei pra anotar uma cena de conto! Como só tenho poucas horas na semana, minha lavoura demora a crescer. Além disso, tento encaixar minha produção de artes plásticas nestes hiatos temporais.

Quanto às outras atividades, creio que mais do que atrapalhar, elas me auxiliam na literatura. Minha primeira formação é Publicidade e Propaganda. Minha segunda é Filosofia. Da publicidade, peguei a agilidade da linguagem e os “insights”. Da Filosofia, a profundidade e o cunho existencial. E, das artes plásticas, as imagens necessárias a todo texto literário.

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Matheus Arcaro nasceu em 1984 em Ribeirão Preto, onde vive atualmente. Graduado em Comunicação Social e também em Filosofia. Pós-graduado em História da Arte. Atua como professor de Filosofia e Sociologia, artista plástico e palestrante. Desde 2006 tem artigos, crônicas, contos e poemas publicados em veículos regionais e nacionais. Seu livro de contos ‘Violeta velha e outras flores’, publicado em 2014 pela Patuá, vem recebendo ótima crítica em âmbito nacional. Seu romance “O lado imóvel do tempo” também saiu pela Patuá em abril de 2016.

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