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João Chiodini

Minha forma de escrita acontece de acordo com o tipo de texto que escrevo. No caso das crônicas, como a minha coluna de jornal sai aos sábados (com entrega na sexta-feira, meio-dia), a crônica da semana se torna a última atividade da quinta-feira. Faço tudo que preciso/quero fazer, curto um Netflix com a esposa e, depois disso, preparo o texto. Durante o banho, se ainda não tenho um assunto em evidência, faço uma retrospectiva das coisas que pensei e que poderiam virar texto e escolho o tema da semana. Em 2010, quando comecei a escrever semanalmente, um tema surgir, era um motivo de euforia. Agora, depois de seis anos fazendo isso toda semana, os assuntos se acomodam em gavetas imaginárias e ficam lá até sua escolha. Não gosto de fazer o texto antes do prazo final para não perder, muitas vezes, um assunto de última hora que pode render uma boa crônica, mas que funcionará somente naquela semana, pois se eu já tiver escrito, corro o risco de me entregar à preguiça.

Para textos encomendados, como livros de biografia ou artigos diversos, separo um horário na agenda e naquele período tem que sair alguma coisa. Afinal, o prazo é inimigo da procrastinação. Claro, quando sei do prazo, já vou preparando o espírito para, no mínimo, ter uma base do que sairá. Tem vezes que as linhas se preenchem com facilidade, porém, tem vezes que é duro. Aí fico irritado, qualquer barulhinho me incomoda, desde celular até as músicas que meu sócio escuta, aqui na mesa ao lado.

Falando de textos longos de ficção, a coisa é um pouco mais complexa. Eu tenho que pensar e memorizar trechos, falas, personagens e repeti-los diversas vezes. Nesse processo de memorização, não uso anotações e nem gravações. Gosto de tentar definir os trejeitos e as vozes das personagens até o momento de jogar tudo para o computador. Dessa forma, quando vou escrever, não parece que estou iniciando algo novo, mas continuando. Um exemplo é o meu próximo livro. Estou pensando nele desde 2014 e, praticamente, dois anos depois da ideia original já alterei inúmeras coisas na história sem ter escrito uma única linha ainda. Estou curioso para ver como essa narrativa sairá da minha cabeça.

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João Chiodini nasceu em Jaraguá do Sul, SC, em 1981. Trabalha com projetos ligados ao livro, leitura e literatura desde 2005. É cronista e autor de livros infantis e biografias. “Os Abraços Perdidos” (Editora da Casa, 2015) é seu primeiro romance e já recebeu várias impressões positivas de grandes escritores nacionais como:Paulo Scott e Elvira Vigna.

 

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