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Giovanni Arceno

Já fui muito apegado ao processo de escrita. Não exatamente ao processo, mas a essa estética toda que existe em torno da literatura. O lance de que é necessário acordar cinco horas da manhã, escutar três sinfonias clássicas, fumar, tomar café, ficar peladão se masturbando em frente ao espelho e todos esses rituais aleatórios e excêntricos. Achava maneiraço essa atmosfera toda em volta do escritor e isso acabava ditando até que tipo de música eu ouvia e os lugares que eu frequentava. Naturalmente fui percebendo que tudo era pose e que eu me preocupava mais com isso do que com ler e escrever. Porra, foi como quebrar uma lâmpada fosforescente nas costas do amigo. Tudo virou estilhaço. E então finalmente escrevi um livro. Um de contos, que ficou entre os finalistas do SESC. E depois outro. Um romance, que vai ser publicado pela editora Oito e Meio ano que vem.

Começo a escrever partindo de uma ideia específica. Procuro uma narrativa com um tema mal explorado na literatura brasileira. Eu tenho esse único vício de querer lançar abordagens únicas, mesmo que isso seja uma enganação da porra. Vitória, o romance, por exemplo, fala sobre uma gravidez indesejada na adolescência. Definido o tema principal, eu desenvolvo os acontecimentos em torno e tento dar bastante protagonismo às ações das personagens. Escrevo onde der e quando der. Trabalho e tenho faculdade, mas essa é uma desculpinha esfarrapada, porque mesmo em casa eu ia matar o tempo jogando Lol ou assistindo Netflix. Às vezes dá vontade de escrever no trabalho, com a barulheira, às vezes eu escrevo na faculdade, em casa, tanto faz. Também curto pra caralho falar com alguém sobre a história. Parece que eu sempre acabo pensando na hora em alguns detalhes ou percebendo que alguma parte não tá coesa. Por no papel geralmente é muito rápido, porque encontrado o acontecimento principal eu consigo criar o restante da história com muita facilidade. Só pra dar uma noção, demorei uns dez meses pra pensar na história do meu romance, mas oito dias pra escrever.

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Giovanni Arceno mora em Joinville (SC), tem 22 anos e é estudante de jornalismo. Escreveu ‘O que provavelmente restou dos lugares que talvez não existam mais’ e foi finalista do Prêmio SESC de Literatura em 2014. Este ano publicou ‘Vitória’, pela Oito e Meia. Também criou o projeto www.leiabrasileiros.com.br, onde se compromete em enviar, todos os dias, um trechinho de alguma obra da literatura nacional.

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