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Anderson Fonseca

Escrever não é uma necessidade, é uma obsessão. Quando fico aprisionado a uma ideia, não consigo sequer dormir, eu preciso de alguma forma de me livrar dela. Sigo então uma rotina: Em um caderno rabisco o roteiro da história e numa lousa branca desenho a trama. Aí, acordo às 3h para escrever a história e sigo até 5h. Depois passo a semana toda reescrevendo o mesmo conto. Às vezes, saio para caminhar e levo no bolso duas folhas de papel ou um bloco de notas, e enquanto ando, discuto cada frase do texto, uma a uma, analisando a sonoridade e o desenvolvimento narrativo, e quando noto uma dissonância, refaço, ali mesmo, no caminho, aquela linha, anotando a frase mais adequada. Também chego a levar comigo, quando vou caminhar um gravador, caso não leve as folhas, e, em casa, passo para o papel. No momento em que sinto que está bacana a história, imprimo para ler e reler, revisando até ficar satisfeito. Depois, seleciono dois amigos em quem confio e envio o texto para analisar a recepção do leitor quanto àquela narrativa. E aí, volto a ler a mesma história e dou meus últimos retoques. Meus passos são esses, então: escrevo na lousa, depois rascunho a ideia no papel, saio para caminhar e discuto cada ideia e frase, digito a história, imprimo, refaço todo o caminho, envio a dois críticos, releio e faço os retoques finais. Minha maior obsessão está na frase de abertura do conto. Depois de tudo traçado, busco-a com anseio até ela surgir. A verdade é que nunca me dou por satisfeito com o que escrevo. E eu não escrevo histórias de muitas páginas, meus contos são realmente curtos, meus livros não chegam a passar de 80 páginas. É minha estética. No entanto, levo até 2 anos escrevendo aqueles mesmos contos que, às vezes, não passam de 10 com um número de páginas menor que 7. Perfeccionismo? Obsessão? Sinceramente, tudo isso e mais um pouco. Acho mesmo que não tenho vontade de me livrar da história, por isso fico reescrevendo-a continuamente, mas uma hora o conto pede para nos abandonar, seguir mundo, é um momento muito triste. Outra mania que tenho é de comprar cadernos e moleskines e separar cada um para um projeto novo, além de cadernetas e blocos de notas. Porem, meu rito é com a caneta, não consigo escrever com qualquer uma, e isto porque sou cabalista. Aprendi a ter uma relação metafísica com a narrativa, certo respeito, uma devoção sacerdotal, por isso, seleciono a caneta com cuidado e o papel sobre o qual ela irá correr. Sinceramente, se não faço isso, não escrevo. Surge um bloqueio, nada sai. E, embora, eu seja desorganizado em muitas coisas, quanto ao texto sou metódico.

Anderson Fonseca (Rio de Janeiro/Ceará – 35 anos) é autor do livro de contos fantásticos Sr. Bergier & outras histórias. Atualmente trabalha em uma saga de ficção científica adulto-juvenil.

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