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Antonio Pokrywiecki Neto

Minhas duas novelas foram escritas de manhã, ou de madrugada, nunca no horário da tarde. Ambas levaram menos de um mês para serem escritas, e foram finalizadas perto do meio-dia. Em alguns dias, escrevia mais de três mil palavras em uma única manhã, enquanto em outros nem mesmo cem palavras eu era capaz trazer ao papel. Sempre sóbrio. Escrevia sóbrio, editava sóbrio, às vezes com café, mas não necessariamente.

Disciplina sempre foi, no meu processo de criação, mais importante que qualquer tipo de inspiração. Tentei aplicar em minha rotina diversos regimes disciplinares. Stephen King não se alimenta antes de escrever duas mil palavras pela manhã. Tentei e o máximo que consegui foi passar fome.

Hemingway escrevia o quanto achasse necessário, até não encontrar solução para a trama. Saía para pescar em Cuba, ou tomava um trago em qualquer bar de Paris. No dia seguinte, tinha a história estruturada na cachola. Por minha vez, consegui nada além de fragmentos inacabados que nunca serão utilizados em nada. Tentei aplicar um Chinaski way of life e virei uma paródia bukowskiana, um bêbado fodido, gastão, viciado em pornografia, improdutivo e miseravelmente infeliz comigo mesmo, com dezoito, dezenove anos de idade.

Só fui escrever qualquer coisa de valor realmente quando deixei pra trás toda a estética que permeia a literatura. Quando deixei pra trás a rotina dos outros e fui em busca da minha. Quando parei de me preocupar com a quantidade de caracteres que saiam a cada parágrafo jorrado no papel. Quando aprendi a ler. Quando concentrei esforço em observar meu mundo, minha rua, minhas pessoas. Quando aprendi que fazer literatura é olhar pela janela, pintar um muro, conversar com um estranho, sorrir pra quem se gosta, plantar uma árvore.

Quando aprendi que escrever faz parte, mas é o que menos importa. Antes de se contar histórias é preciso vivê-las.

Antonio Pokrywiecki Neto nasceu e cresceu em Joinville (SC). Tem vinte anos de idade, três de literatura. Contribui, esporadicamente, com o site Homo Literatus e tem contos publicados pela Revista Grafia (digital). Seu livro de estreia, “Tua roupas em outros quartos”, anda em busca de uma editora.  

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