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Gregory Haertel

Escrever faz parte da minha vida. Desde a minha adolescência eu escrevia pra mim, pras gavetas, pra deixar guardado, pra jogar fora.

Tive a sorte de, já com vinte e poucos anos, um dos meus contos chegar às mãos do Pepe Sedrez, diretor da Cia Carona de Teatro (Blumenau-SC), que me convidou para escrever para eles. A partir de lá, comecei a trabalhar com alguns grupos de teatro de Santa Catarina.

Atualmente, tento equilibrar o meu tempo entre a minha profissão (sou psiquiatra e trabalho em consultório), a minha família (Mareike, minha esposa, e Tom, nosso filho de 5 anos) e a escrita. Não é fácil. Fica mais complicado ainda por eu não ser um escritor de inspirações e êxtases convulsivos. Eu preciso de tempo e de uma rotina para escrever. Nos meus dois romances, larguei por algumas semanas as minhas obrigações diárias e me isolei do mundo. “Aguardo” foi escrito durante um inverno, na praia da Pinheira. “A Casa Antiga” foi escrito em Corupá. Durantes esses processos, escrevia em dois turnos, das 8 h às 12 h e das 14 h às 18 h. Durante as noites, eu revisava. Mesmo que não estivesse fluindo, mesmo que o texto estivesse truncado e sem ritmo, eu tentava não parar de escrever. Depois, se eu julgasse ruim o que havia escrito, eu descartava. Nunca consegui escrever textos de maior fôlego em partes, um parágrafo num dia, outro na semana seguinte, outro no outro mês. Tenho essa necessidade de “permanecer na história”, de não me dissociar dela. Se eu deixo o texto de lado e paro de pensar nele por alguns dias, ele morre.

Nos intervalos entre textos mais longos e peças de teatro, escrevo letras de música, normalmente a partir de melodias encaminhadas por alguns parceiros. As letras eu costumo fazer no período do almoço ou depois que o Tom e a Mareike já foram dormir. Letra de música é um universo à parte. Um universo pelo qual eu me apaixonei. É o trabalho de encaixar palavras nas divisões melódicas propostas e então formar frases a partir dessas palavras e, com isso nas mãos, buscar algum sentido que dialogue com a música. Um prato cheio pra quem gosta de brincar com a sonoridade e o sentido das palavras.

Gregory Haertel é autor dos romances “Aguardo” (2008) e “A Casa Antiga” (2016), e do livro de contos “Quarteto de Cordas para Enforcamento” (2011). Escreveu os textos de “A Parte Doente”, “Volúpia” e “Das Águas”, da Cia Carona de Teatro (Blumenau-SC), e tem trabalhos com Cia Experimentus (Itajaí – SC), Trapiá Cia Teatral (Caicó – RN), Cia Mútua (Itajaí – SC), Cirquinho do Revirado (Criciúma – SC) entre outras. Com o compositor André de Souza, escreveu o  musical “Orfeu 21”, levado aos palcos do Teatro Carlos Gomes (Blumenau) em duas temporadas em 2012 .Como letrista, tem parcerias com diversos compositores brasileiros, como Leandro Braga (RJ), Thiago K (SP), Raul Misturada (SP), Mareike Valentin (SC), Paulo Monarco (SP), Conrado Pera (GO), John Mueller (SC), Edu Colvara (SC), André Fernandes (SP), Demétrius Lulo (SP), Daniel Conti (SP), Pochyua Andrade (PE), entre outros.

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